O Bosque Selvagem | Animação tem riqueza de detalhes feitos à mão
Com favoritismo para levar o Oscar de Melhor Animação, “O Bosque Selvagem” chega às telas brasileiras e carrega momentos surpreendentes sobre os bastidores da produção.
A sedução do diretor Travis Knight pela história começou em 2000, quando leu o manuscrito ainda inacabado do livro de Colin Meloy com ilustrações de Carson Ellis. Soube na hora que queria adaptá-lo.
A escala da história, porém, estava além do que o stop-motion permitia na época. Knight e uma equipe de mais de mil artistas, artesãos, técnicos e realizadores trabalharam por anos para dar vida ao roteiro. Os storyboards começaram a ser desenvolvidos em 2018 e a pré-produção teve início em 2020, poucas semanas antes da pandemia. As filmagens começaram em 2021.
Entre os profissionais que contribuíram para dar vida ao universo fantástico do filme estão os brasileiros Thiago Calçado (animador de stop-motion com experiência em algumas das principais produções internacionais da técnica) e Marcelo Amp (especialista em moldagem e fundição de silicone).
“Nosso filme foi feito à mão, um quadro por vez, e acredito que o público consegue sentir essa presença humana na imagem. Mas o artesanato nunca é o ponto. O sentimento é o ponto. A técnica é apenas o modo como comunicamos algo íntimo e vivo. Não fazemos esses filmes para que as pessoas vejam o trabalho por trás deles. Fazemos para que, por um tempo, elas esqueçam completamente o trabalho e acreditem na vida diante delas”, conta o diretor Travis Knight.
Sinopse
A adolescente Prue McKeel vê o irmão caçula ser levado por um bando de corvos. Para resgatá-lo, ela parte rumo à Floresta Impassável, uma mata encantada escondida logo além de Portland, no Oregon. Ao lado de Curtis Mehlberg, colega de classe atrapalhado, porém leal e secretamente apaixonado por ela, a jovem atravessa um mundo de animais falantes, bandidos e figuras poderosas movidas por luto e ambição. Quando a dupla é arrastada para um conflito que ameaça o equilíbrio da própria floresta, a jovem precisa encontrar uma força que nunca soube ter e arriscar tudo para trazer o irmão de volta.
Assista ao trailer
Entre miniaturas e números gigantes
O processo criativo e de produção do filme traz resultados que impressionam:
- 233 bonecos foram confeccionados
- 142.030 rostos substituíveis produzidos para que os personagens transmitissem emoção real, trocados quadro a quadro. Cada personagem principal recebe um rosto único para cada quadro de animação, o equivalente a 24 rostos por segundo de filme, e cada um deles é preservado no acervo da LAIKA como uma obra de arte individual.
- 124 rostos substituíveis foram usados em uma única cena sendo 555 para Prue e 569 para Curtis. Segundo a LAIKA, é o maior número já usado em um único plano na história da técnica

- 67 planos mostram lágrimas visíveis, mais de dez vezes o recorde anterior do estúdio, que pertencia a Os Boxtrolls, com apenas seis
- 132 cenários que dão forma a 117 locações distintas
- 86 cm do bico à cauda e 1,63 m de envergadura e a dimensão do maior boneco, a General, a altura de um adulto
- 794 penas colocadas individualmente em cada boneco da General

- 728 árvores artesanais representam dez espécies do noroeste do Pacífico. A armação mais alta chega a 5,72 m, quase a altura de um sobrado
- 112 palcos, em uma área de mais de 14.400 m² (do tamanho de dois campos de futebol) foram os espaços ocupados pelos filmagens
- 151 km de arame de latão usado na produção é o equivalente a distância entre São Paulo e Brasília. Todo o material foi reciclado ao fim das filmagens
- 231 semanas de produção
- 804 planos na versão final

Ficha Técnica
Direção: Travis Knight
Roteiro: Travis Knight e Chris Butler
Designer principal de personagens: Thibault Leclercq
Figurinista: Deborah Cook
Diretor de arte: Nelson Lowry
Fotografia: Caleb Deschanel
Trilha sonora: Dario Marianelli
Distribuição: Imagem Filmes
O Bosque Selvagem
Data: estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro de 2026