Entrevista com Tim Kamps, diretor do filme “Champagne”
O cineasta Tim Kamps revela na entrevista ao Portal Grande ABC Cultural como foi dirigir o longa-metragem holandês “Champagne – Uma viagem de pai e filho”, estrelado por Leo Alkemade e Huub Stapel.
Grande ABC Cultural: O roteiro parte de uma experiência real de Leo Alkemade. Como diretor, como encontrar uma distância criativa para transformar uma memória pessoal em cinema?
Tim Kamps: Leo escreveu o roteiro com Rik van de Bos, mas isto não é excessivamente dramático – em muitos momentos, manteve um tom bastante leve. Isso me permitiu buscar a comédia mesmo em situações dolorosas. Eu gosto de misturar essas coisas: você pode trabalhar tecnicamente o ritmo e o equilíbrio. Também acontece o contrário: encontrar tristeza em momentos bonitos. Isso me direcionou a ser muito técnico em determinadas passagens. Tantos os protagonistas como os coadjuvantes são conhecidos como atores cômicos aqui na Holanda, então, eles naturalmente percebem onde há o humor em uma cena.
GAC: Como são as sensações e desafios de dirigir uma produção baseada em uma história real e ter tão perto um personagem que é parte dessa história?
TK: Emocionalmente não foi um grande desafio pra mim, eu me identifiquei muito porque meu pai e eu tínhamos uma relação parecida, muitas vezes marcada por certo desconforto. Isso tornou fácil dirigir aqueles momentos e me ajudou a compreender as emoções no roteiro. A gente chorava no set durante as cenas mais emotivas. Mas isso não foi um desafio. O real desafio foi prático: filmamos o filme inteiro em 16 dias, o que foi muito estressante, às vezes, especialmente porque também estávamos filmando em outro país.

GAC: O filme trabalha muito bem os silêncios. Como você dirigiu cenas em que o que não é falado parece ser mais importante do que os diálogos?
TK: Essa escolha aparece principalmente na montagem. Nós cortamos muito diálogo, editar é sempre reescrever a história e isso desempenhou um papel fundamental na estrutura do tom do filme.
GAC: A fotografia do longa transmite beleza sem romantizar a doença. Como foi construir essa linguagem visual para que a paisagem conversasse com o estado emocional dos personagens?
TK: Decidimos filmar na primavera quando os vinhedos não estão plenamente floridos o que refletia a relação entre pai e filho. Há um viticultor no filme que disse a eles que estavam viajando cedo demais naquele período do ano – para mim essa é uma pequena e engraçada metáfora para a viagem. Não é uma jornada perfeita, mas, por conta dessa imperfeição, eles se tornaram mais próximos.
GAC: “Champagne” fala de um relacionamento entre pai e filho, mas também de arrependimentos e do tempo que sempre parece insuficiente. Que reflexão você espera que permaneça com o espectador?
TK: Eu espero que as pessoas abracem seus pais um pouco mais forte e se lembrem de que os pais, com seus erros e tudo mais, são apenas seres humanos também tentando entender as coisas.
Confira também a entrevista com o ator Leo Alkemade:
Confira os detalhes do filme: